segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Um Eterno Colapso Divino...

Esta intransigência rebuscada me deixa imune aos constrangimentos destinados aos rejeitados, aqueles à quem o pudor aprisionou em suas celas lodosas e cheirando a mofo. Livre de tais impedimentos experimentei todos os delírios e, ávido por mais. De onde o anjo tão inocente passa a me surpreender com suas perversões. Cara metade deserdada, vejo que nas meretrizes - tristes volúpias! - ainda não houve o toque do demônio elegante. Ele mesmo, aquele a quem Rimbaud disse possuir as virgens loucas. Nunca houve quem quisesse sê-lo, nem mesmo por um instante de propriedade.

Desejos engavetados em arquivos roídos por traças tão cristãs. Sou irmão de quem acredita num deus (Deus?) tão humano quanto nós. Chega de divindades tirânicas e milagrosas! Toda celeuma compreendida em um momento de pura inspiração ao perceber quão maravilhosa é nossa sublime e curta existência, visto que só dispomos dessa estação para descobrir quem deitará conosco e nos fará companhia em festais bacanais, orgias dionísicas e dádivas ofertadas em corpo e símbolo à Vênus, que prova e aprova nosso sêmem abençoado e, em retribuição, nos permite contemplar de seus viçosos jardins.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Resolução

Todas as palavras que eu poderia usar para definir meus sonhos e desejos já foram usadas, declarei-me insano e salvo. Não estou pronto para novas alterações em meu comportamento selvagem e canibalesco, ainda há muitas almas para serem devoradas enquanto seu banquete foi bem servido em talheres de prata e marfim. A loucura obsessiva que reina em meu íntimo vai cessar, tem de cessar. Não posso ficar para sempre a desfrutar do trabalho de Sísifo, contemplando imagens e visões que não sei se serão minhas um dia.

Sua franqueza me rasga o corpo, dilacera o espírito e perfura o coração e mesmo assim sou obrigado a entregar-te toda minha honra e devoção pois no fundo sinto que sou merecedor de tudo isso, estarei sempre disposto a catar as migalhas que deixares cair aos seus pés, na esperança de um dia desfrutar plenamente do gosto de sua aura lótus. Levarei essa esperança para sempre comigo, mas escondida num quarto escuro de minhas quintessências carnais. Que um dia esse pecado possa ver a luz mas somente você terá chave dessa prisão, entregue a ti ao terminar desse texto.

É difícil ter de renunciar às poesias mais belas que já fui capaz de escrever, mas quem as leu?

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O fim de uma busca (?)

Colori o tempo que se seguia à minha frente e desvaneci condolências em copos e mesas, paredes nuas servem de abrigo para minhas confissões mais sórdidas e íntimas desejando ser entendido da melhor maneira possível pois os sons agora soam desconexos, dissonantes e incompreensíveis para quem não estiver na mesma sintonia que eu. Entreguei meu escudo e minha lança, caí derrotado esperando pelo golpe final e... cadê? Onde está o golpe de misericórdia? Nada.

No fundo me senti aliviado por permanecer vivo após entregar-me de maneira tão patética, mas era necessário descobrir aonde estavam meus anseios, saber aonde se escondiam minhas vestes mais promíscuas e acender uma luz sobre terrenos cobertos de uma claridade tão fraca, que deixam dúvidas sobre quem e/ou o quê está na sua frente. Quem descarta tamanho poder merece o total esquecimento por desprezar tanta querência em nome de um pudor descabido, ou pior, um neo-realismo eclético como pedra de segurança. Quanta falta de personalidade, só conheço o que me foi dado após uma volta no sol e mesmo assim me sinto no direito de exigir mais, pois sei o quanto custa possuir tamanha divindade disfarçada atrás de um batismo tão assassino. Olhei por trás da máscara e percebi um universo de possibilidades que estaria disposto a enfrentar, esperando uma simples afirmação.

Quero quebrar qualquer motivo torpe para gerar divagações confusas ou inexatas, confessar meus pecados e esperar pela absolvição, quem sabe até uma recompensa.
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terça-feira, 30 de setembro de 2008

A faca que desliza pela minha garganta

Discorrendo sobre as horas congeladas em momentos de louco extâse, resta a certeza do quanto a derradeira vista está próxima do prazer. Extrema unção de gozos e delírios, vibrantes por natureza, viciadas, drogadas, complacentes em juras e negações. Uma overdose por favor, não abandonarei minha cupidez nem minha desonra. Adjetivos e paradoxos degladiando, vivo na divagação de uma mente fantasiosa e ao mesmo tempo desequilibrada. Compondo réquiens otimistas para justificar meus desejos enquanto vou nutrindo um ódio amoroso e aceitável pelos grilhões sacramentais que impuseram suas leis seculares contra toda lascívia.

Busco sempre a resposta na contrariedade do conformismo e me vejo a um pé do abismo, sempre regredindo à medida que o ponteiro dá suas voltas no universo limitado que aceitei de bom grado, e sou obrigado a agradecer pelas migalhas negadas pois suas dádivas seriam um passo para a vesânia - uma risada sarcástica paira no ar.

Defino então reflexivas observações sobre a benção da necessidade, onde está o equilíbrio?

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Confissões Enquanto Há Tempo

Se a estupidez transparecesse um dia em minha vida ilusória, talvez eu descobrisse o que me torna tão suscetível ao fracasso. E me torno culpado por todos esses furtos medonhos por nunca me sentir satisfeito com o que a vida humildemente me oferece. Muito pelo contrário, se a felicidade está à minha porta, eu a tranco do lado de fora pois sempre prezei mais a melancolia como terna companheira. Seria isto um sintoma de toda alma artista? Se eu pelo menos o fosse, talvez tivesse a resposta.

Com o tempo, percebo que me tornei uma caricatura de mim mesmo, paródia cancerígena com todos os seus complexos, desgostos e dissabores. Fugi da paranóiae abracei toda a conduta desvairada de quem é capaz de arrancar os próprios olhos para evitar o temor de encarar a corda bamba. me vejo cara a cara com a derrota e indo cada vez para mais perto. Acendo um cigarro filado de algum estranho, falta-me nessa horas um espelho acusador. Ah, desejos impossíveis!

Sei que criei um aborto espontâneo, é verdade! mas nunca seus fantasmas me aterrorizaram tanto como agora. Um pedido de ajuda negado e a descrença em minhas próprias palavras, punidas pelas horas insones na mais sagrada vigília e pelas descobertas que aparecem em momentos não apropriados.

Brindemos então à incerteza que cerca todo prazer,
Saúde!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Homônimo Amor (Ou Despedida Antecipada)

Gosto da sinceridade capaz de despedaçar uma alma quando cruzes manchadas de sangue são atravessadas por pecaminosas quintessências. Tantas declarações repulsivas coradas por um sentimento pudico num momento intenso de breve sanidade. Quem seria digno de tomar de sua pele todo o seu suor febril?
Que venha aos seus pés de forma transigente tudo o que me custa a sobriedade em seus altares límpidos pois só nesses momentos consigo um pouco (pouco mesmo!) do que provaste em toda a sua plenitude, cuspindo, vomitando, regurgitando tanta benção benevolente. Sou um número ímpar, cercado pela morte localizada num lugar tão festivo. Comecei a chorar e a gritar aos quatro cantos para quem quisesse ouvir o lugar de onde vim e para onde nunca retornarei pois ali não é mais o meu lugar.
Que sentimento torpe!
Movido a ilusões liquifeitas sob os bolsos furados de minhas vestes gastas, uma mão próxima ao coração entregando-te todos os meus desejos, ora ansiando, às vezes reprimindo. Busco alternativas em épocas que remetem ao meus primeiros pecados, através de noites insones entre visões sujas e lirismo de porta de banheiro público.
Depois de tanto vacilar só queria encontrar meu caminho para Gaslamp Quarter, ser bem sucedido ao penetrar em suas ondas e me tornar parte de sua paisagem. Guardarei um amor desajeitado no fundo do meu coração, guardarás um luto por mim?
Foi bom enquanto durar... mas não foi para... será?
Deixa prá lá.
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sexta-feira, 18 de julho de 2008

Prisma

Venha para meu quarto às nove da noite
E não diga nada
Palavras são facas
Que podem cortar a estação
Você conhece meu nome
Mas não me chame por ele
Então berre! Berre novas palavras
E as tornarei mais belas
Sim, você quer me ouvir?
Pedindo por minha vida?
Implorando por minha honra?
Quis te matar
Te dar um novo significado
Estou cansado de dizer isso
E não foi a primeira vez
Quando te encontrei no bar
Fiz isso a noite inteira
E você deixou o resto do dinheiro
Para comprar mais ilusões
Merda! Como pude ser tão tolo?
Ninguém faz mais isso hoje em dia
Talvez outro dia
(ou outra noite)
Eu entenda o significado disto
Enquanto isso...



... Esperarei por você novamente.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Uma Farsa

Exemplo de liberdade uma ova, mentiras descabidas soam como uma ordem enquanto a valsa fúnebre reverbera em meus ouvidos cansados de tanta ladainha por um futuro cada vez mais pretérito. O conselho dos adúlteros em sua marquise de flores murchas condenam mais uma alma para a privação eterna. Frustrações, oh frustrações... tapem meus olhos e não me permitam conhecer a humiliação de um deus tão precoce. Ele não resistiu às adversidades de qualquer amor, que dirá de mim? Pobre mortal que anda sob a margem da luxúria e da correção como qualquer outro.
Mais uma vez calei e aceitei.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Corruptivelmente sua...

Mares de luxúria desvanecem em minhas mãos, soterradas por estranhos amores de florestas assassinas. Navego em negro, latitude e longitude derramam-se em júbilo sobre meus ombros compactadas em breves poesias soturnas. Descobre-se um novo sabor, entre tantos momentos de complacência coerente com meu raciocínio torto.
Quem pode reprimir meu orgulho? Ajoelhado que estou perante ordens de devassidões em peles e asfalto, contemplando-me, admirando-me, invejando-me até, qual a minha parcela de culpa nesses jogos febris e sufocantes. A madrugada regressa entre reflexos de decepções, vilanias, esperanças, promessas e belíssimas atuações, dignas de serem exaltadas com o merecido desprezo.
Névoa que enebria minha vista e faz com que um simples sussurro possa ser ouvido a léguas de distância. Acaba a revolta, tudo re-volta ao seu lugar, aguardando o próximo motim.
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terça-feira, 27 de maio de 2008

Divinas Re-Concepções

Pronto para o renascimento... será? Quando todas as dúvidas permanecem inalteradas culpamos um karma indolente pedindo por novas drogas e bebidas (queridos amigos, não cresci!). Um tapa na cara. Bum! A moral do homem escorre pelo ralo como ratos indóceis capazes de atacar no momento em que se sentir acuado. Pedi por justiça, ninguém me perdoou, boca de lixeira - quem me deu a dica a se profanar em razões esguias e intoleráveis.
Sou meu próprio inimigo, o pior deles. Busco minha razão em coisas pequenas e só nelas encontro motivos para ir em frente, escrevendo, tocando, cantando, maldizendo uma (mal) criação, detestável criança que pintava cores em lugares proibidos, de vestes sujas e blasfemas. Quanta culpa em cima de órbitas lúdicas e desvairadas.
Queres um apreço virginal em forma de santidade desconsolada? Engana-se. Mais um copo. Visões de florestas aonde nunca serei convidado a acampar.