terça-feira, 30 de setembro de 2008

A faca que desliza pela minha garganta

Discorrendo sobre as horas congeladas em momentos de louco extâse, resta a certeza do quanto a derradeira vista está próxima do prazer. Extrema unção de gozos e delírios, vibrantes por natureza, viciadas, drogadas, complacentes em juras e negações. Uma overdose por favor, não abandonarei minha cupidez nem minha desonra. Adjetivos e paradoxos degladiando, vivo na divagação de uma mente fantasiosa e ao mesmo tempo desequilibrada. Compondo réquiens otimistas para justificar meus desejos enquanto vou nutrindo um ódio amoroso e aceitável pelos grilhões sacramentais que impuseram suas leis seculares contra toda lascívia.

Busco sempre a resposta na contrariedade do conformismo e me vejo a um pé do abismo, sempre regredindo à medida que o ponteiro dá suas voltas no universo limitado que aceitei de bom grado, e sou obrigado a agradecer pelas migalhas negadas pois suas dádivas seriam um passo para a vesânia - uma risada sarcástica paira no ar.

Defino então reflexivas observações sobre a benção da necessidade, onde está o equilíbrio?

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Confissões Enquanto Há Tempo

Se a estupidez transparecesse um dia em minha vida ilusória, talvez eu descobrisse o que me torna tão suscetível ao fracasso. E me torno culpado por todos esses furtos medonhos por nunca me sentir satisfeito com o que a vida humildemente me oferece. Muito pelo contrário, se a felicidade está à minha porta, eu a tranco do lado de fora pois sempre prezei mais a melancolia como terna companheira. Seria isto um sintoma de toda alma artista? Se eu pelo menos o fosse, talvez tivesse a resposta.

Com o tempo, percebo que me tornei uma caricatura de mim mesmo, paródia cancerígena com todos os seus complexos, desgostos e dissabores. Fugi da paranóiae abracei toda a conduta desvairada de quem é capaz de arrancar os próprios olhos para evitar o temor de encarar a corda bamba. me vejo cara a cara com a derrota e indo cada vez para mais perto. Acendo um cigarro filado de algum estranho, falta-me nessa horas um espelho acusador. Ah, desejos impossíveis!

Sei que criei um aborto espontâneo, é verdade! mas nunca seus fantasmas me aterrorizaram tanto como agora. Um pedido de ajuda negado e a descrença em minhas próprias palavras, punidas pelas horas insones na mais sagrada vigília e pelas descobertas que aparecem em momentos não apropriados.

Brindemos então à incerteza que cerca todo prazer,
Saúde!