segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Um Eterno Colapso Divino...

Esta intransigência rebuscada me deixa imune aos constrangimentos destinados aos rejeitados, aqueles à quem o pudor aprisionou em suas celas lodosas e cheirando a mofo. Livre de tais impedimentos experimentei todos os delírios e, ávido por mais. De onde o anjo tão inocente passa a me surpreender com suas perversões. Cara metade deserdada, vejo que nas meretrizes - tristes volúpias! - ainda não houve o toque do demônio elegante. Ele mesmo, aquele a quem Rimbaud disse possuir as virgens loucas. Nunca houve quem quisesse sê-lo, nem mesmo por um instante de propriedade.

Desejos engavetados em arquivos roídos por traças tão cristãs. Sou irmão de quem acredita num deus (Deus?) tão humano quanto nós. Chega de divindades tirânicas e milagrosas! Toda celeuma compreendida em um momento de pura inspiração ao perceber quão maravilhosa é nossa sublime e curta existência, visto que só dispomos dessa estação para descobrir quem deitará conosco e nos fará companhia em festais bacanais, orgias dionísicas e dádivas ofertadas em corpo e símbolo à Vênus, que prova e aprova nosso sêmem abençoado e, em retribuição, nos permite contemplar de seus viçosos jardins.

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